Publicado por: valdeneduartefonseca | maio 9, 2009

Lançamento

capa solNo próximo dia 13/05, haverá, às 19h, na Livraria SBS o lançamento do romance “Sob o Sol de Cada Manhã” da escritora Valdene Duarte Fonseca. “Entrelaço as vidas de vários personagens, cujo microcosmo é bucólico, mas inquientante também. Traduzo as paixões humanas em suas últimas conseqüências”, afirma a autora do livro.

       A ações dos personagens se desenvolvem entre três fazendas situadas no Nordeste. “Trilhando a linha contemporânea do romance, na narrativa da escritora Valdene Duarte, encontramos traços psicológicos e naturalistas, como também a predominância do lirismo em suas descrições. Os personagens movimentam-se em tempo linear e vão se apresentando gradativamente. A caracterização do ambiente, rico em detalhes amplia o espaço físico onde ocorrem as ações. A romancista utiliza-se de muitos diálogos nos discursos direto e indireto”, afirma Telma Brilhante em trecho de prefácio escrito para o livro.

 

 

foto solDados Biográficos da Autora:

Valdene Duarte nasceu em Codó, Maranhão, em 1945. Morou em vários estados do Brasil, vindo a estabelecer-se no Recife em 1960.Tem formação em Letras com especialização em Literatura Brasileira. É membro da União Brasileira de Escritores de Pernambuco e  publicou o seu primeiro livro de contos e crônicas Contocrônicas, em junho de 2005. Publica agora o seu primeiro romance “Sob o sol de cada manhã”. Tem inéditos os seguintes livros: Pele e Poesia (poemas), Poemas Eróticos (poemas), Os cavalinhos da Madrugada (teatro infantil), Nane, aboneca (teatro infantil), Mara Macumba (Teatro) e um Allegro de Chopin (novela).

 

>> Poemas da autora

Em defesa da Literatura

Defendo a literatura numa tribcheira,
Que anule tristezas e melancolias
Essências transitórias de vergonha  e medo!

Defendo a Literatura como um princípio
De mágica alegria ficcional do romanesco
De uma paisagem triste no final do dia…
De lágrimas soterradas no peito,
Da lisonja impura dos proxenetas…

Defendo a Literatura  como um direito
Do massacre   exagerado dos críticos
Do rolo compressor da Gramática,
Da doce infâmia dos canalhas,
Do falso elogio de certos amigos!

Defendo a Literatura como um dever
Da triste indiferença do homem que não lê…
Ante o medo e a miséria que corrompem
No óxido e na ferrugem que no tempo acaba com
A grandeza das Letras… a  beleza universal da Poesia!

Desejo

Desejo  é vício que viola virtudes
Em cada fibra do corpo e da memória,
É sucessivo e lúbrico beijo onde amiúde,
O fremir da paixão, umedece umbigos diabólicos,
Fisgando com os dedos o gosto de apalpar!

Desejo é peito aberto em devaneio
Lâmina que corta palpitações de carne
Carícia sem fronteira nas curvas do seio,
Melindres de meretriz nas madrugadas,
Arquitetando mistérios e pecados!

É convenção  armazenando gozos,
criando densas cartilagens no coração!
A perfumar peles, plenas de prazer e repouso
No lábio vermelho  e saliente onde avulta,
A loucura do  amor fabricando sonhos!

Desejo é o nascimento do mundo de Coubert,
Em  plena  Paris saturada   de orgasmo!
Entrada do gérmen que se faz vida,
No indecifrável abismo do esboço cósmico,
Espalhando no corpo  as raízes da carne
Definitiva ânsia de amor aquietando o mundo!

(Valdene Duarte Fonseca) in Pele e Poesia -inédito

Publicado por: valdeneduartefonseca | maio 9, 2009

Sob o Sol de Cada Manhã

foto escr solMais uma vez, lanço-me à aventura literária. Fiz uma história sobre a arte de amar e de viver. Amar e viver plenamente. Amar e viver com toda a força e alquimia que se possa imaginar, como completude do corpo, como sapiência para o espírito. Veio-me em boa hora.  Creio que o afluxo de palavras, e o desejo de escrever um romance, se cumpriu afinal. Este é um romance experimental; um escrito simples e linear com a função de puro entretenimento. Desde os primeiros capítulos, existe a palpitação do humano na cadência erótica dos sentimentos.

Como disse Stendhal em sua obra O Vermelho e o Negro, “um romance é um espelho que é levado por uma longa estrada ”Os personagens aqui, têm suas almas distorcidas -sempre num espelho- Caminham   por estradas várias, refletindo suas imagens num turbilhão de vivências. Laura ama e é amada. É inundada pelo amor em todas as suas dimensões.

Nada impede suas obsessivas experiências de compulsão amorosa, no deleite do corpo. Sua eterna carência do sensual, obstinada e doentia, supera todos os preconceitos sobre o comportamento feminino, e resiste. Esta resistência marca o limite da narrativa, no instante em que tudo que lhe foi imposto, como matéria modeladora do comportamento dito “normal”.

Nunca pode acolher, senão seu próprio desejo, sem nenhuma fácula para esmaecer o brilho do sol, sem nenhum impedimento para desvendar a alma, tanto na vida individual como na social. Mas vamos à história. A história se passa na maior parte do tempo, entre três fazendas do Nordeste do Brasil, mais precisamente, no Estado do Piauí. A trama dos acontecimentos é uma trama ficcional, liberada pela imaginação da autora.

Onde o escritor nasce e vive, haverá em sua obra maior coleta de intramuros ou de extramuros. Assim, como passei a maior parte de minha vida no Nordeste, onde o sol tudo inunda, vivi fora de casa e fora de mim mesma: Então consegui dominar a extroversão.  Meus sentimentos trabalham sem cessar e não há hora para o ensimesmamento. No meu pensamento artístico impõe-se o sensual. 

A vida é um constante bulício onde desfilam sem pudor, aos nossos olhos, o meneio dos quadris na dança, as incitações voluptuosas da música e do vinho, e o olhar de luxúria quase táctil dos homens. Gravito também sobre o telúrico, mas sem esquecer a urbe contraditória e pecaminosa. 

Assim é que minha história passeia por metrópoles como Recife e Paris. Paris que numa observação indireta, creio não ter desrealizado minha obra, por ser um empréstimo, porque tem compensação maior: a dose de minhas fantasias, e o segredo de imaginar um possível desejo. Os personagens vivem sua realidade subjetiva, desprendidos, pecando, nos limites do tempo e do espaço, no campo e na cidade.

Não se preocupam com castigos do inferno, e representam assim, certa decadência moral da alta burguesia, porém, sob o enfoque do mais puro Humanismo. O romance, talvez, possa agredir o pudor de alguns leitores mais puritanos.

No entanto, despertará no íntimo das consciências mais maleáveis, aquilo que seria no nosso mundo sócio-convencional, uma atitude libertária, coincidindo com um liberticídio no Brasil, nos anos sessenta, onde já se fazia valer também, os primórdios da revolução sexual.

Assim é que os personagens desta história, fazem-nos pensar em nossas atitudes, e refletem em cada um de nós, na nossa própria organização interna, nossas ambições, medos, carências, alegrias indizíveis e tristezas profundas. São pequenos surtos que se abrem de repente num “flash” da vida, com sua efêmera luz encantatória ou demoníaca.

 Ao amanhecer,nosso primeiro gesto e nosso primeiro pensamento, saltam do surrealismo do sonho, para a realidade que nos rodeia. Vão palmilhar na lógica linear de nossas vidas, caminhos tortuosos, mostrando o avesso da alma.

Pode ser em linimentos de lágrimas ou em explosões de risos. Pode ser na lucidez equilibrada da mente ou na incoerência trágica de devaneios alucinatórios, no dobre do espírito confundido e só, como acontecia com as personagens de Yolanda e Zé Mulato.

 Assim, cada gesto nosso é um mistério, um susto que nem sequer percebemos, porque, sob o sol de cada manhã, despertamos com a naturalidade e o equilíbrio da alma, sob esta invariável luz que nos cobre. Então começamos tudo de novo: a Vida!
   
                                                                          Valdene Duarte Fonseca

Publicado por: valdeneduartefonseca | maio 9, 2009

Leia um Trecho do Livro

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Escrever é preciso

Preciso escrever para encontrar-me
Elaborar minhas lúcidas fantasias,
Dando vivência e cor às palavras,
Investiduras que marcam minha história!

Quantas vezes tentei sacralizar a palavra
Empobrecendo libidinalmente o corpo,
Tu, porém, tocaste-me a alma cansada,
Agora de amor sou pleno e louco!

Escrevo para descartar-me da solidão,
Como uma tarefa para um novo encontro,
Para albergar-me de todo no teu canto,
Prender-te inteira no meu coração!

Escrever é preciso… para registrar,
Toda beleza assim de tanto ardor,
Que indestrutível há de perdurar
Com alegria impar deste amor!

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