No próximo dia 13/05, haverá, às 19h, na Livraria SBS o lançamento do romance “Sob o Sol de Cada Manhã” da escritora Valdene Duarte Fonseca. “Entrelaço as vidas de vários personagens, cujo microcosmo é bucólico, mas inquientante também. Traduzo as paixões humanas em suas últimas conseqüências”, afirma a autora do livro.
A ações dos personagens se desenvolvem entre três fazendas situadas no Nordeste. “Trilhando a linha contemporânea do romance, na narrativa da escritora Valdene Duarte, encontramos traços psicológicos e naturalistas, como também a predominância do lirismo em suas descrições. Os personagens movimentam-se em tempo linear e vão se apresentando gradativamente. A caracterização do ambiente, rico em detalhes amplia o espaço físico onde ocorrem as ações. A romancista utiliza-se de muitos diálogos nos discursos direto e indireto”, afirma Telma Brilhante em trecho de prefácio escrito para o livro.
Dados Biográficos da Autora:
Valdene Duarte nasceu em Codó, Maranhão, em 1945. Morou em vários estados do Brasil, vindo a estabelecer-se no Recife em 1960.Tem formação em Letras com especialização em Literatura Brasileira. É membro da União Brasileira de Escritores de Pernambuco e publicou o seu primeiro livro de contos e crônicas Contocrônicas, em junho de 2005. Publica agora o seu primeiro romance “Sob o sol de cada manhã”. Tem inéditos os seguintes livros: Pele e Poesia (poemas), Poemas Eróticos (poemas), Os cavalinhos da Madrugada (teatro infantil), Nane, aboneca (teatro infantil), Mara Macumba (Teatro) e um Allegro de Chopin (novela).
>> Poemas da autora
Em defesa da Literatura
Defendo a literatura numa tribcheira,
Que anule tristezas e melancolias
Essências transitórias de vergonha e medo!
Defendo a Literatura como um princípio
De mágica alegria ficcional do romanesco
De uma paisagem triste no final do dia…
De lágrimas soterradas no peito,
Da lisonja impura dos proxenetas…
Defendo a Literatura como um direito
Do massacre exagerado dos críticos
Do rolo compressor da Gramática,
Da doce infâmia dos canalhas,
Do falso elogio de certos amigos!
Defendo a Literatura como um dever
Da triste indiferença do homem que não lê…
Ante o medo e a miséria que corrompem
No óxido e na ferrugem que no tempo acaba com
A grandeza das Letras… a beleza universal da Poesia!
Desejo
Desejo é vício que viola virtudes
Em cada fibra do corpo e da memória,
É sucessivo e lúbrico beijo onde amiúde,
O fremir da paixão, umedece umbigos diabólicos,
Fisgando com os dedos o gosto de apalpar!
Desejo é peito aberto em devaneio
Lâmina que corta palpitações de carne
Carícia sem fronteira nas curvas do seio,
Melindres de meretriz nas madrugadas,
Arquitetando mistérios e pecados!
É convenção armazenando gozos,
criando densas cartilagens no coração!
A perfumar peles, plenas de prazer e repouso
No lábio vermelho e saliente onde avulta,
A loucura do amor fabricando sonhos!
Desejo é o nascimento do mundo de Coubert,
Em plena Paris saturada de orgasmo!
Entrada do gérmen que se faz vida,
No indecifrável abismo do esboço cósmico,
Espalhando no corpo as raízes da carne
Definitiva ânsia de amor aquietando o mundo!
(Valdene Duarte Fonseca) in Pele e Poesia -inédito
Mais uma vez, lanço-me à aventura literária. Fiz uma história sobre a arte de amar e de viver. Amar e viver plenamente. Amar e viver com toda a força e alquimia que se possa imaginar, como completude do corpo, como sapiência para o espírito. Veio-me em boa hora. Creio que o afluxo de palavras, e o desejo de escrever um romance, se cumpriu afinal. Este é um romance experimental; um escrito simples e linear com a função de puro entretenimento. Desde os primeiros capítulos, existe a palpitação do humano na cadência erótica dos sentimentos.